BURNOUT! Cada vez mais …

(É um artigo longo, paciência …!)
Vejo cada vez mais, e nada …
BURNOUT até parece palavra “chique”, mas de chique não têm nada! É lamentável! BURNOUT, digamos na linguagem popular, é algo que descrevem como “dobrar o fio”, “passar do ponto”, “atleta queimado”!
O termo vêm do inglês, “to burn out”,  que significa algo como queimar por completo, também chamada de Síndrome do Esgotamento Profissional. BURNOUT, é um fenômeno muito atual,  e pior, BASTANTE FUTURO!

O conceito de BURNOUT foi definido pelo psicanalista alemão Freudenberger (1974), após constatá-lo em si mesmo, como “a exaustão advinda do excesso de demandas de energia, força ou recursos”. É uma patologia que já atinge todas as profissões e pessoas.

Síndrome de Burnout deve ser de conhecimento de TODOS, inclusive PAIS, ATLETAS e DIRIGENTES. Quanto aos PROFISSIONAIS, é obrigação! Então tenho o desprazer de apresentar-lhe. A Síndrome constatada nas áreas ocupacionais, foi investigada no esporte, somente nos anos 80, com o primeiro estudo em treinadores  (CACCESE; MAYERBERG, 1984). 

Milhares de crianças são submetidas a treinamentos diariamente e os níveis de cargas de trabalho têm subido muito, assim como as rotinas impostas por famílias e escolas. Uma pesquisa  entre praticantes americanos de 7-14 anos, a quase totalidade abandonava o esporte pelo menos 1 vez e que somente 5% dos que iniciaram, seguiam no esporte (BUTCHER et al, 2002). Estes dados já antigos, nos dão uma boa fonte de análises e conclusões sobre o que deve ser a nossa realidade. Um dado interessante neste trabalho é de que as “meninas apresentaram um índice maior de lesões”.
Entre os motivos do abandono esportivo, autores destacam os “conflitos de interesses, a falta de tempo, os estudos, a falta de sucesso e de habilidades, o estresse competitivo, a falta de diversão, os treinamentos monótonos, problemas com o treinador, a pequena participação nas competições as lesões” (BARA FILHO, M.G. & GUILLÉN GARCIA, F., 2008).
Em outro estudo, com jogadoras francesas (13-15 anos) de handebol, o abandono é de 50% e menciona que treinadores são determinantes na motivação e consequentemente do abandono (SARRAZIN et all, 2002).
Estão relacionados à Síndrome de Burnout, efeitos que levam à exaustão total! Essa exaustão ligada ao psicológico, provêm obviamente ou também da exaustão fisiológica. O desgaste físico e emocional proveniente das excessivas rotinas de treinamentos e a ansiedade e stresses das competições resultam em desequilíbrio e desajuste do atleta, que certamente culmina com a má performance (RAEDEKE; SMITH, 2001), seguida da desistência ou abandono esportivo. Esta desistência da prática esportiva ou competitiva é conhecida como “dropout”, o abandono precoce.
A falta de sucesso e a percepção da falta de talento (GOULD et al., 1996) também estão relacionados. A apreensão por ser primeiro lugar ou ganhar medalhas, aumenta consideravelmente o stress. Com o desejo de ser o “the best”, de sempre demonstrar alto grau de desempenho (querer melhorar todos os tempos em todas as competições) o portador da Síndrome, mede a autoestima pela capacidade de realização e sucesso.
ausência do resultados auto-requerido leva à saturação, desencadeando a síndrome. O estado se agrava,  quando o atleta perde o interesse pela sua pré e pós condição, ou seja, pára de se preocupar com suas preparações específicas e gerais, tais como treinamentos, alimentação, horários de descanso e etc…  Assim pode-se dizer que a “insatisfação ou a incapacidade de produzir resultados” leva a este nefasto fenômeno.
Se o fenômeno está mais ligado ao psicológico do que o fisiológico, tem início com uma satisfação e prazer, e termina quando o desempenho não é mais reconhecido ou realizado. A necessidade de se afirmar e o desejo de realização se transformam em obstinação e compulsão; neste ponto, além dos problemas de ordem psicológica, haverá um grande desgaste físico, resultando em fadiga até a exaustão.
Definitivamente a causa de Burnout  em ATLETAS JOVENS (CRIANÇAS e PRÉ-ADOLESCENTES), é principalmente fisiológico e vêm do esgotamento físico e energético, causado pelo excesso de cargas de treinamentos impostos nas tenras idades, acompanhando de uma euforia por “altos resultados” ou medalhas e depois seguido da queda de performance e do esgotamento físico e mental  e também muito comum, pelo excesso de cobrança e exigências que PAIS impõem em seus filhos!
A síndrome se manifesta quando o atleta não suporta as cargas de treino, resultando em estresse fisiológico e psicológico, o qual impede o atleta de treinar e competir em níveis ótimos. Essa queda no rendimento, pode ser sintoma de Burnout (CHIMINAZZO e MONTAGNER, 2004). Na Natação, o sucesso depende da individualidade e principalmente sofre a ausência de suporte social dos companheiros de equipe, onde a sensação de Burnout é muito menos sentida, pois em modalidades coletivas, cada jogador tem uma função, diferentemente dos esportes individuais, como o nosso.
Oito estudos sobre Burnout, analisaram atletas e treinadores brasileiros (PIRES et all, 2012). O Burnout  acontece a partir de respostas psicofisiológicas ao treinamento físico (BARA et all, 1999).
O instrumento psicométrico de mensuração, reconhecido internacionalmente, é o Questionário de Burnout em Atletas. Não temos estudos comparativos por região, IDH, idade, nível de treinamento e gênero em Atletas e Treinadores na Natação, ou ainda desconheço.
BRANDÃO (2000) aponta a necessidade de analisar os indivíduos em seu mundo real e atentem para a importância da relação e inter-relação entre o ambiente e as competências psicológicas das pessoas que dele participam.
No Tênis de Campo, 81% dos treinadores já tiveram atletas infanto-juvenis e profissionais com sinais de esgotamento. Para estes treinadores, os principais precursores são: “treinamentos sem controle e mal-elaborados, excesso de jogos ou a não participação em partidas, pressão dos pais, patrocinadores, dirigentes ou do próprio atleta, a rotina estressante, falta de companhia nas viagens e falta de vida social” (PIRES et all, 2012).
Difícil apurar responsabilidades! Porém a vivência nos revela uma série de fatores negativos
– Crianças de aprendizagem com práticas como treinamentos,
– Crianças submetidas a treinamentos muito intensos,
– Crianças chorando copiosamente por insatisfação, após suas provas,
– Crianças e jovens com excesso de atividades diárias e mal nutridos, mesmo com suplementos e profissionais de nutrição,
– Atletas excessivamente lesionados ou doentes,
– Atletas “simulando” lesões, inclusive para abandonar o esporte,
– Atletas com sérios problemas com treinadores e vice-versa,-
– Pais cobrando e dando instruções como doidos, muitas vezes passando por cima de treinadores e criando intimidação às crianças e atletas,
– Treinadores ou professores que fazem as mesmas coisas há décadas,
– Equipes sem profissionais capacitados, instalações inadequadas e principalmente sem recursos,
– Competições longas, monótonas e mal organizadas,
– Calendários absurdos, obrigando treinadores a viajarem até 6 finais de semana seguidos para competições estaduais, municipais, escolares, nacionais ou categorias,
– Falta de Treinadores em viagens internacionais,
– Falta de reconhecimento a determinados empenhos e esforços,
– Falta de ética pessoal e profissional, etc…
– Graves problemas de gestão em diversos níveis.
É um círculo, sobreviva um e entre em outro!
Também parece óbvio, que o fenômeno pode incluir os adultos no entorno dos atletas, tais como pais, membros multi disciplinares e dirigentes, embora ainda não especificado na literatura. Isto porque as pessoas vão cansando da mesmice, rotina, insucessos e principalmente da inércia das coisas. Das mais de 60 publicações sobre Burnout, cerca de 50 foram para atletas e treinadores. Raros estudos incluíram dirigentes, fisioterapeutas, árbitros e funcionários.
Quantos desistiram ou mudaram de clube, porque não vêem o trabalho ir para frente, seja dos seus treinadores ou diretores e até dos próprios filhos? Quantos dirigentes, na maioria das vezes, também pais, que desistem por inércia de treinadores e clubes? Imaginem as crianças, os atletas? É mais cômodo e fácil parar com tudo!
Recentemente detectei Burnout em 3 nadadores (11-13 anos) de diferentes locais, e emiti uma série de alertas aos responsáveis. Embora algumas providências tomadas, já era tarde! Os atletas deixaram a natação precocemente.
Com certeza muitos outros “dropouts” estão a caminho. E o que estamos fazendo para estancar isso??? O que devemos efetivamente fazer? Os treinadores são importantíssimos para o esporte, pois são responsáveis pelo desenvolvimento e elaboração dos treinamentos de crianças e jovens, pela mobilização de seu grupo em torno do esporte e principalmente pela avaliação do rendimento.
Os pais devem permanecer muito atentos às reações dos atletas. Todos nós, devemos observar as reações das crianças e atletas e melhorar os segmentos apontados anteriormente.
Nas CLÍNICAS DE NATAÇÃO GOLD, desenvolvemos com profissionais de alto expertise em Coaching e Neurolinguística, ferramentas exclusivas para avaliar e melhorar as capacidades dos atletas.
Não podemos generalizar, é bem verdade, mas os estudos nos emitem um alerta e os resultados do esporte, estão aí há décadas. Centenas e centenas foram campeões nas categorias de base e nem chegaram às categorias superiores.
Como é comum, podem achar que estou criticando, mas não, é constatação!

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Sou velocista e não melhoro!

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