A Fadiga do Nadador

O atleta treina, treina, treina e não melhora? “Faz tudo que o técnico pede” e não baixa tempo? SINAL AMARELO!

Você já viu atleta que não foi treinar e melhorou? Parou de nadar certo tempo e voltou e melhorou?

Sempre haverá uma resposta para estes fatores! Têm a dos outros, a sua e a correta!

Fadiga é sinônimo de CANSAÇO, ESGOTAMENTO, STRESS e BURNOUT!

Temos vários tipos de fadiga: local, de região e total. A fadiga local é a menor e afeta porções do músculo, já a de região, afeta uma grande porção ou grupo muscular e a total atinge todo o organismo.

Essas fadigas não podem ser confundidas com a fadiga NATURAL, que é aquela causada pelo treinamento contínuo ou competição. Esta fadiga é superável quando o atleta é submetido a planos, protocolos de cargas, tempo de descanso ou recuperação equivalentes. E é aí que está o grande problema!

NADADORES NÃO ESTÃO TENDO DESCANSO COMPATÍVEL ÀS CARGAS DE TREINAMENTO que vêm sendo aplicadas! Sempre digo aos colegas, o excelente chavão do “velho e bom” Doc Counsilman: ” SE É PARA ERRAR, ERRE PARA MENOS”! Ou para bom entendedor: “NÃO ERRE PARA MAIS”!

Apesar de todos nós já termos fatigado e conhecer os principais sintomas do cansaço, tais como:esgotamento, dor, rigidez, perda de coordenação e inclusive câimbras, são os sinais invisíveis os mais importantes!

Ninguém trabalha com resultados efetivos e prescrição científica, tais como monitoramento de marcadores fisiológicos, e não falo aqui de lactato. Falo de marcadores bioquímicos a começar por inflamatórios.

Então vamos lá, é um tremendo erro acreditar em “NO PAIN, NO GAIN”! Dor é o indicativo, de não serve mais! persistir na “dor” é lesão! De onde vêm a dor? Do treinamento. E a lesão? Do excesssivo treinamento sem recuperação ou da excessiva carga aplicada numa série ou movimento.

Todo o exercício ou treinamento, causa um processo INFLAMATÓRIO! Ou seja, após o término do treino, o atleta está “inflamado”. Esta é a forma que o corpo encontra, para reagir a um agente agressor, com a finalidade de promover a cura, ou especialmente no treinamento, promover o reparo celular. Esta inflamação pode ser benéfica se as cargas do treinamento são regulares, sistematizadas e principalmente ADEQUADAS a CADA ATLETA!

O processo inflamatório ou inflamação caracteriza-se como uma resposta de defesa do organismo frente a um agente agressor, cujo objetivo é promover a cura em caso de doenças ou de reparo celular ou tecidual, por ocasião do treinamento. Esta inflamação pode ser benéfica quando o treinamento é regular e sistemático, pois atuará em conjunto com moléculas e hormônios para o devido reparo celular ou tecidual.

É muito obvio que com as devidas adaptações aos treinamentos, a carga ou sobrecarga precisa ser aumentada, o que na prática significa que, se o atleta melhora o tempo, terá que treinar mais forte! Assim o treinamento causa um desiquilíbrio da homeostase (estado normal) do atleta e como resultado causa stress. O treinamento provoca microtraumatismos no tecido muscular estriado esquelético, tecido conjuntivo e tecido ósseo. Esses danos são temporários e reparados por neutrófilos e macrófagos, que terão a função do reparo tecidual.

Os danos celulares dependem da intensidade, a qual o atleta foi submetido. Em alto grau, liberam na corrente sanguínea, entre outras substancias ou marcadores, proteínas intracelulares, entre elas a CK (creatina quinase). Dentro de poucas horas (POUCAS HORAS!), após a concretização da inflamação localizada, o organismo irá reagir conforme a intensidade do stress, através de uma série de alterações fisiológicas, que são chamadas de Sickness Behavior.

Pausas de DESCANSO adequadas permitirão a recomposição celular do tecido muscular esquelético, causando alteração da massa muscular e respostas metabólicas, o que determina a melhoria do rendimento.

O treinamento provoca alterações bioquímicas, fisiológicas e comportamentais. Em caso de recuperações inadequadas, seja por falta de descanso compatível, desbalanço de nutrientes compensatórios e principalmente equilíbrio de cargas do treinamento, este processo inflamatório entrará em outra fase, a crônica, com efeitos como anemias, insonia, lesões e principalmente piora dos resultados.

Identificar estas alterações provocadas, é fundamental para o sucesso e resultado de nossos atletas. Autores têm usado marcadores como leucócitos, cortisol, concentração sérica da CK, Ferro e Zinco plasmático entre muitos outros , para avaliação do treinamento.

Foto iStock

Para uma eficiente avaliação destes marcadores inflamatórios, faz-se necessário exames sanguíneos, antes e após os treinos, colhido de maneira correta, principalmente em relação a prazos após os exercícios, além do estudo dos protocolos utilizados no treino, como: intensidades e volumes do treinamento, etc…

Existe uma comunicação entre médicos/fisiologistas e treinadores? Os treinadores compartilham suas periodizações para este controle?

Se por outro lado, essa interação não existe, ou, não há condições financeiras de se manter estes controles, no mínimo indicadores subjetivos de stress devem ser observados, tais como: irritabilidade, desmotivação, desinteresse, fraqueza, falta de atenção, sonolência, dor intensa ou constante, falta de rendimento, perda do apetite, baixas notas escolares, depressão, insônia e (adicionado após a escrita) EMAGRECIMENTO -NADADORES DE BAIXA MASSA ADIPOSA ou POUCA GORDURA QUE NÃO SE RECUPERAM OU NÃO TÊM REPOSIÇÃO ADEQUADA, PERDEM MÚSCULO!

Ao observar estes sinais, tome providências! É SINAL AMARELO, que por si só já dá ALERTA!

Se os sintomas persistirem, será grande a chance de BURNOUT, de nadador a menos no esporte! Previna enquanto é tempo! A categoria Infantil já está “agonizando”!

Da Silva e Macedo (2011) afirmaram que …” o monitoramento de atletas em sessões ou períodos de treinamento/competições, através de marcadores do processo inflamatório, poderia contribuir para definir, com menor grau de empirismo, o nível de adaptação destes sujeitos às cargas de treino impostas“.

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