Controle no Treinamento

Treinadores encontram dificuldades para monitorar o treinamento de maneira científica. A evolução dos nadadores basicamente é medida pelo tempo realizado em uma determinada distancia, porém o controle da performance é feito por avaliações fisiológicas e biomecânicas, muitas vezes, complexas, caras ou quase inacessíveis.

Basicamente as avaliações podem ser divididas em:

  • avaliações da carga de treinamento e
  • avaliações das mudanças de rendimento.

O ideal é realizarmos estas avaliações longitudinalmente, ou seja, ao longo da carreira do nadador. Mas de que forma poderemos avaliar um mesmo nadador de 9-10 anos até a categoria sênior?

Na ponta superior, os atletas de alto nível encontram suporte nos grandes clubes, mas é na base que devemos adotar esta prática. Várias avaliações podem ser realizadas sem grandes investimentos, as quais poderão ensinar treinamento aos nadadores e facilitar o trabalho de treinadores.

Na década de 80, existiam 2 grandes projetos de apoio aos nadadores brasileiros. Durante um deles, a Clínica do Projeto Mesbla, realizado em 1985, em Blumenau, escutei uma frase do Dr. Mazza, que não esqueci nunca e repito até hoje: …” Se não avaliarmos os nadadores, não saberemos o que causou sucesso e nem o que causou o fracasso“!

Insisto que, na base, precisamos criar PROTOCOLOS DE AVALIAÇÃO, que embora devam ter bases científicas, não necessariamente deverão ser testes do tipo patenteados, comuns às práticas de pesquisas. Você mesmo pode criar um teste-protocolo adaptado ao seu trabalho ou rotina do atleta.

O que acontece no treinamento, é que inúmeras variáveis deste treinamento, são alteradas pelo treinador ou por nadadores, seja por razões climáticas, escolares até  saúde do atleta, tornando difícil determinar causa e ou efeito.

De acordo com Navarro, a busca por um único marcador para detectar efeito do treinamento de resistência tem sido infrutífera. Essa razão se deve pela discrepância entre as respostas de uma mesma variável em atletas sob diversas formas e diferentes condições. Sendo assim, pode-se deduzir que o controle individualizado e uniforme, que significa, sempre o mesmo protocolo para uma mesma condição ou época do treino, é condição é fundamental, para nosso controle.

Por exemplo, o T-30 que é uma avaliação entediante e polêmica, bem pode ser usado  1x ao ano, durante as categorias mirim-infantil.  Este teste pode ser o inicio da construção e do entendimento das melhorias aeróbias para uma criança, ou aumento da resistência. Já para juvenis acho desnecessário e desmotivante. Há outras avaliações a serem introduzidas.

Assim, a partir de certo nível e categoria, parece admissível que o treinador adeque uma monitorização padronizada ao atleta para avaliar a condição do treinamento e mais importante: a treinabilidade deste atleta!  E como posso avaliar meu atleta?

A dica é escolher uma série com predomínio energético  de acordo com a CATEGORIA DO ATLETA. Para Mirins e Petizes estes protocolos devem ser séries aeróbias, para Infantis além dos protocolos aeróbios devemos iniciar os controles de provas. A partir da categoria Juvenil, devemos criar protocolos individualizados, além dos comuns a todos.

Uma das partes fracas que temos é a pernada, por isso me parece bastante produtivo criar uma série protocolo de pernas, desde o mirim, assim os nadadores podem se auto avaliar.  Se para mirim a infantis, o protocolo básico deverá ser aeróbio, já a partir de juvenil poderemos criar séries-protocolo em aeróbio, aeróbio-anaeróbio e de potencias.

Estes protocolos não serão  invasivos e principalmente, o custo é grátis. Investir em lactacidemia, por exemplo, é muito importante, mas mais importante é você receber um feedback apropriado e realmente aplicável.

Comece já seu protocolo e verá que seu entendimento sobre a performance dos seus atletas irá crescer, e muito!

Bom trabalho a todos!

 

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