TREINAR SAÍDA PARA QUÊ?

Muitos nadadores que vêm para os GOLD TRAINING CAMPs, que realizamos nas férias, sempre falam a mesma coisa: “preciso melhorar minha saída”, “dá uma olhada na minha saída” ou “treine a minha saída”!

E eu pergunto : TREINAR SAÍDA PARA QUE? NÃO PRECISA !

Calma, eu explico!

A saída é um fundamento e componente muito importante ou pouco importante, depende da prova e principalmente do tempo que o atleta faz.

Por exemplo, a saída não têm relevância quase nenhuma em 1500 comparada aos 50, ou a saída no 50 para um mirim que faz 49s é irrelevante comparada à um finalista internacional com 21s.

Então, quanto mais curta e mais rápida a prova, maior percentual na prova, maior relevância. Entende-se por saída, vários componentes biomecânicos, entre eles: tempo de reação, tempo de voo ou voo (voo não tem mais acento circunflexo, só vôos), entrada na água, deslize, “golfinhada” e “breakout”.

                                                            Foto Human Kinetics

A maioria dos nadadores jovens, como mostro nas clínicas, não fazem “saída” e sim um “desastre”! Não saltam, desabam! Infelizmente esse “desastre” começa lá nas escolinhas, onde muitas vezes estagiários, “ensinam a tal da saída” do único modo que viram na vida, ajoelhando a criança na borda e deixando elas “desabarem” na água. Triste, mas verdade.

Será que esta falha técnica vêm realmente do ensino superior, ou da falta de interesse do professor, ou de uma fraca coordenação, ou de uma má contratação ou de uma administração interessada em baixa despesa? E pior, de todas juntas?

Estamos viciados na réplica. Por anos, a Natação vêm replicando o que fizeram, viram ou dizem, muitas vezes, sem a devida fundamentação. Hoje em um entrevista, o vice-diretor de Marketing da Sansung no Brasil, disse: “Mão de obra é barreira” e “País cresceria com profissionais mais qualificados”.

Se na Biomecânica da saída, a primeira variável é o Tempo de Reação, que depende de vários fatores, não seria o primeiro aspecto a ser trabalhado para a saída? E de que depende esta variável? Do sistema neural para responder rápido a um estímulo (partida) e de Força Específica para a impulsão.  Volto a dizer que insisto com isto, nas aulas da pós-graduação: “precisamos saber o que, como e porque fazer, com propriedade, com conhecimento, com profundidade e não com a dita ‘experiencia’, ou achismo ou copismo”.

Saindo desta parte fundamental do aprendizado, se as crianças não tem capacidade de saltar um palmo do chão, como irão realizar uma saída?

Mas suponhamos que ok, saltem … , aí temos outra questão importante: a do bloco. Como é o bloco de saída que você têm para ensinar/treinar? São os blocos modernos ou aqueles blocos “vintage”, anos 70, todo de cimento?

 

            

Para termos sucesso, são necessárias condições ideais, isso também é a modulação do treinamento (vide artigo anterior). Nossa base está aprendendo mal e praticando mal. Estamos perdendo de saída! Isso sem entrar na especificidade do nado costas, tratando do aparato de sustentação dos pés, onde quase a totalidade das escolinhas e principalmente em muitas competições de base, sequer têm um ferrinho, ou uma madeirinha, um cano, uma corda, qualquer coisa para apoio dos pés.

Certa vez em um encontro profissional, me referi que os blocos oficiais da FINA, são “elásticos”, proporcionam melhor impulsão, e houve discordância, “os blocos são iguais”. Mas não são, mesmo! Não estou falando dos genéricos, já bastante usados por serem bem mais econômicos. Me refiro aos oficiais internacionais, de Mundiais e Olimpíadas, da Omega mesmo.

Praticamente não temos esses blocos a disposição no Brasil. Anos atrás, a CBDA, forneceu unidades para alguns dos principais Clubes brasileiros, que tinham atletas de nível internacional. Não temos, pelo altíssimo custo unitário, afinal uma piscina oficial necessita de 22 blocos (20+2 de reserva).

Não sei se os blocos das 4 piscinas do legado olímpico (2 do Rio, Manaus e Salvador), estão incluídos, mas o fato é que raros parque aquáticos nacionais, têm esta disposição. Precisamos deste equipamento para treinar, fato!

                                                     RIO2016 Foto Swimming World

Pela escassez e localizações, vemos que não estão acessíveis, a grande massa de competidores. Vários atletas de seleções de base não estão treinando nestes locais ou nos principais clubes, que possuem unidades. Por isso, ao meu modo de ver, quando houver algum campeonato nacional em um parque aquático que contemple esses blocos e seu atleta vislumbra ou irá participar de campeonatos internacionais, tem que aproveitar a chance, viajar antes e treinar saídas.

Claro que, bem antes de atingirmos este nível de exigência, está muito mais que na hora, de literalmente, darmos uma boa  “SAÍDA”, estudando e revendo estas metodologias e começando a “destruir”, chamando o pedreiro com a  picareta e aposentando de vez, os blocos de cimento obsoletos, das nossas atividades profissionais.

Se não, treinar saída para quê?

 

 

Leitura adicional

http://colgatephys111.blogspot.com.br/2012/11/the-physics-of-olympic-swimming.html

 

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