A imitação, a cópia ou a tentativa de…

Um interessante artigo do Prof. da UNICAMP em Ciências do Esporte,  Dr. Alcides Scaglia fala sobre a arte de imitar no esporte, mais especificamente no Futebol, mas que também se adéqua a Natação. Na verdade até ficamos lisonjeados quando somos informados de   grandes semelhanças de apresentações e estratégias que tem cada vez mais sido reproduzidas a partir dos conteúdos e clínicas GOLD.

Precisamos parar de achar que falar sobre um determinado tema é o mesmo que saber! ISTO É EMPIRISMO!
Apesar de que comparar Natação com Futebol é um tanto antagônico. Não se pode sair por aí nadando de “qualquer jeito”, até porque somos terrestre e não aquáticos. E nosso futebol ainda é 1×7.
Achar que EXPERIENCIA é CONHECIMENTO é ledo engano. Do CONHECIMENTO se cria a EXPERIENCIA, logo é preciso estudar.
O ESPORTE NÃO PODE SEGUIR O EXEMPLO DO FUTEBOL E SER TOMADO POR “AUTODIDATAS” !
Confira o artigo na íntegra
A imitação e a cópia são palavras sinônimas. Mas aqui, para este pequeno texto, elas serão diferentes. Uma diferença sutil, porém determinante para a edificação do belo e a transcendência do ser humano.
Para os empíricos a metodologia para o sucesso é a cópia. Parte-se do pressuposto de que se temos um modelo que apresenta bons resultados, a garantia para se continuar tendo êxito está na sua fiel reprodução.
Este paradigma ainda rege o mundo. A grande maioria das pessoas, inconscientemente, pensa assim. Concomitantemente age assim e, ainda mais, espera que outras assim também procedam.
Exemplos? Tenho inúmeros, para todas as áreas e gostos. Poderia falar de hábitos, ditados populares, escolas, modo de produção. Mas, propositadamente, ficarei no futebol.
No futebol, por exemplo, segundo esta lógica, o melhor técnico só pode ser o ex-jogador, pois ele é o modelo. Só ele domina os padrões de movimentos a ser copiados. Ele mostra como faz e os alunos copiam. Quem não reproduzir fielmente está errado. O espelho que é o professor está lá para corrigir os movimentos. Sua função é não deixar que se aprenda o movimento errado. Seu lema é não deixar acontecer o que diz o ditado “pau que nasce torto, morre torto”.
Contudo, a cópia enclausurada no método descrito acima vai contra a lógica da aprendizagem. A aprendizagem significativa se dá por meio do que chamo aqui intencionalmente, imitação. Na imitação o espelho não se encontra à frente, mas no interior de cada pessoa.
Para melhor entendimento, convido você a se recordar do seu tempo de infância. Na época em que sua maior preocupação era a de se transformar no rei da rua. No maior jogador de bola das redondezas.
Veja como é simples, porém com desdobramentos complexos e profícuos.
Você, como eu, tinha seus ídolos. Você os via jogar. E quando algum deles marcava um gol de placa, como, por exemplo, os gols feitos pelo Brasil na virada frente à URSS no jogo de estréia da Copa de 1982, nascia em você, como emergiu em mim, o desejo de imitá-los.
Acabava o jogo e ia lá você para o campinho, para a rua, ou para o quintal, quarto, sala, cozinha, garagem… enfim, onde fosse possível criar um campo de futebol (e atesto que todos estes locais acolheram perfeitamente o meu Maracumbi).
Estes campos serviam como palco. Imitava-se “perfeitamente” os ídolos. Digo perfeitamente entre aspas, pois o espelho não está mais à frente, como disse anteriormente, está no interior da mente, alimentando a imaginação.
Sem o espelho, é preciso trazer a imagem para dentro. No momento em que ela entra é contaminada pelo eu. O eu a que me refiro estabelece um filtro que seleciona o que e como as coisas podem entrar. Assim interioriza-se somente aquilo que é significativo. Além do que, o eu estabelece parâmetros auto-críticos para a auto-correção.
Se o que é para ser imitado agora está impregnado pelo eu, logo quando se satisfaz os desejos pela imitação, a motricidade não mais expressa um movimento padrão qualquer (muito menos o movimento que serviu inspiração), mas sim o meu movimento, ou melhor, a minha forma e capacidade para interpretar aquilo que vi, gostei, procurei imitar, imitei e me satisfiz ao revivê-lo do meu jeito.
Desse modo, o meu movimento passa a ter os meus traços. Estabeleço meu estilo. Crio as minhas ações. Humanizo o meu gesto. Produzo cultura. Sou autodidata. Amplio minha inteligência.
Sou como o artista: expresso pela motricidade lúdica minhas impressões sobre o mundo. Uso a minha motricidade para transcender e superar as minhas carências, como diria o professor Manuel Sérgio.
Por fim, quero com a distinção entre a imitação e a cópia destacar duas hipóteses. A primeira referente ao como se deu a construção de um estilo peculiar do brasileiro para jogar futebol, e a segunda, as causas da premeditada ruína deste estilo encantador e belo.
Na verdade, para mim não são hipóteses, mas sim, teses.
Infelizmente, ainda vejo muitas pessoas difundindo o método da cópia em detrimento ao estímulo à imitação. São poucos os que vejo criando ambientes de aprendizagem que valorizem o eu e estimulem a imaginação.

 

Para interagir com o autor: alcides@universidadedofutebol.com.br

 

imitação

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