Modulação do Treinamento na Natação

Pouquíssimas fontes na literatura, abordam sobre a Modulação do Treinamento, embora exista desde os anos 60, foi nos anos 70 que especialistas começaram a organizar, o que era feito ou se sabia ao acaso.

Já em 1999, Tudor Bompa disse: … “Tenho a mais forte convicção de que a modelação se tornará, progressivamente, um dos princípios mais importantes do treinamento”. …

Nossa base teórica e científica do treinamento tem sido adquirida, muito através da repetição e da réplica. Salvo exceções, em determinados esportes ou clubes (por alguns profissionais); os controles de cargas ou quase inexistem ou ainda não são levados ao extremo controle.

Fato é, que um treinador que trabalhe com atletas de alto nível, não pode atender mais que 4 atletas, na minha opinião, a menos que tenha auxiliares científicos, trabalhando em conjunto full time durante os treinamentos. É quase impossível, ao meu modo de ver, um treinador controlar cargas de treinamento de 20, 30, 40 nadadores.

Mesmo que a modulação, seja mesmo uma imitação, mas nunca uma cópia, mais corretamente seria afirmar “simulação”. A modulação preconiza “simular elementos específicos que se quer atingir nas competições”, atingindo em cheio o princípio básico do treinamento – a especificidade. Embora redundância, é como “a especificidade da especificidade”!

Neste caso em natação, podemos falar, por exemplo, em metros x segundo. Assim grandes volumes de treinamento em intensidades mais baixas que as modulares, não causariam adaptação competitiva em si. Lógico, que dependendo do nível do atleta, altos volumes devam ser feitos a fim de causar adaptações psico-físicas e de nível cardio respiratório.

A monitorização correta destas modulações, segundo Tudor Bompa, deve incorporar somente os meios idênticos aos da competição, assim certos tipos de treinamentos, que são impostos aos nadadores, parecem estar indo na contramão destes princípios.

As grandes imposições de cargas, as quais os atletas tem sido expostos, se bem controladas podem sim, gerar adaptações positivas, porém sem um controle fino, podem trazer sérios prejuízos aos atletas, causando estagnação e deterioração da performance, principalmente quando o esforço excede a capacidade individual de recuperação, levando ao “overtraining”.

Por isso, dentro de uma modulação, as cargas nutricionais e as profiláticas (cargas físicas fora da água) tem de estar paralelas e concomitantes as especificidades das cargas de treinamentos de água. Aqui também faz parte a quantidade e a qualidade das horas de sono. Tenho visto uma grande quantidade de atletas muito jovens com anemia, parasitológico de fezes positivos, lesões em ombros e joelhos, etc… sem os devidos cuidados e principalmente, com diagnósticos bastante atrasados.

O overtraining, não é causado somente pelo desequilíbrio das cargas de treinamento, mas também por uma combinação de desequilíbrios entre cargas e consumos, cargas e recuperações mal projetadas, muitas vezes não somente por parte do treinador, mas também muito em parte por falta de cuidados do próprio atleta, principalmente adolescentes.

Com esta gama muito grande de controles,  o treinador multiplica em muito seu fator de atenção, mas vários fatores fogem do controle como hábitos em casa, de finais de semana, relacionamentos, etc… São os chamados fatores inter e extra treinamentos.

Os controles fisiológicos invasivos, através de marcadores bioquímicos, são caros e com acesso mais demorado aos resultados, tais como hemoglobina, cortisol, catecolaminas, CK e outros, embora o lactato seja muito rápido, tem também como limitante custos ou acesso.

Para uma modulação efetiva, um dos pré-requisitos, é conhecer bem as especificidades de cada prova e também de cada competição. Por exemplo, numa competição internacional o nadador enfrentará jet lag, fuso horário, altitude se houver, eliminatórias, semi-finais e finais. De que forma iremos modular nossa preparação olímpica de futuro para 2024 ou 2028?

A competição é um processo ativo das modulações, então nos nossos planejamentos, elas devem estar muito bem contempladas. As mudanças no esporte e o impacto da economia pode gerar grande prejuízo nas “preparações modulares específicas”, embora ninguém possa ter certeza de seu nadador estar no mundial de longa, um ano antes das Olimpíadas, por 2 razões, primeiro tem que ter o índice e segundo, não basta ter índices,  tem de estar entre os 2 melhores da prova.

Grandes clubes com grandes orçamentos, encontram facilidade, porém pequenos clubes, treinadores, seus gestores e famílias terão de planejar com muita antecedência participações em Gran Prix ou Circuitos Europeus. Quero dizer que “modular” não dependerá somente do treinador-atleta e sim de muitos outros fatores inter e extra treinamentos.

Apenas abordando aspectos físicos do treinamento, como as instalações, no caso específico da natação, das piscinas, um problema sério, quanto a modulação, por exemplo, é o das saídas. Principalmente quando há uma grande insistência em provas curtas, onde o fator biomecânico da saída pode representar até mais de 30% da prova.

Por que saídas? O atual bloco de saída é um diferencial, que ainda, poucos clubes tem ou raros podem adquirir. Treinamos na maioria do país em blocos obsoletos, mal conservados ou até perigosos, quando há. E uma quase grande maioria das micro competições também estão nas mesmas condições. Isso sem falar sobre o dispositivo auxiliar de saída de costas, quase inexistente também, principalmente em academias e escolinhas.

O mesmo podemos nos referir ao treinamento em piscinas curtas, quando todas as seletivas são em piscina longa.  Planejar estas condições de treinamento, também se refere a “modulação”.

“Modular” depende de tempo e experiencia, depende de um padrão. Depende do desenvolvimento de um modelo, a ser aplicado e testado, que demanda tempo, equipamento, conhecimento e estudos.

“Modular” é específico para aquele atleta e não serve para outro atleta de mesma equipe.

“Modular” dependerá não só do que cada treinador terá em mãos: dos potenciais individuais do atleta, sejam genéticos, fisiológicos ou psicológicos, o chamado Genótipo, mas também da estrutura, do suporte, dos materiais, dos equipamentos, dos recursos, das instalações, ou seja do Fenótipo.

Precisamos trabalhar em LTP – Long Term Program, Programas de Longo Prazo e os atletas devem seguir esses planos ininterruptamente, com a máxima eficiência em monitoração do treinamento.

A modelação deve favorecer a análise crítica do trabalho, através de avaliações e reavaliações, facilitando trocas, conteúdos e métodos do treinamento.

Clubes “menores” se quiserem alcançar sucesso e manter seus melhores atletas, por mais tempo, vão precisar se “modelar” muito rapidamente!

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